Algumas coisas são feitas para serem quebradas. Dentre elas: corações, confiança e unhas.
Faster, faster!
Mais que gráficos para complicar nossa vida acadêmica, velocidade x tempo é um dos grandes dilemas do cotidiano atual. Pessoas querem tudo cada vez mais rápido e em um menor espaço de tempo. O dia-a-dia se tornou um desafio, onde vence quem fizer render mais. Mas afinal, qual é o prêmio? Se é que existe realmente um… No “contar dos pontos”, não passamos de pseudo-campeões, contentados com quase nada.
Motoboys morrem todos os dias, tentando ganhar tempo e um dinheiro extra. Velhos são abandonados em asilos devido à vida lotada de futilidades de seus familiares. Na pressa de pegar um ônibus, esquecemos de acompanhar um amigo. Frequentemente retribuímos à pouca atenção que nos é dada com ironia ou indiferença.
De repente a data mais importante se tornou o dia do pagamento. As semanas se tornaram uma incansável jornada entre receber e contar os dias para o próximo salário. Stress não é mais um “estado de espírito”, agora é doença. Depressão é a tendência do momento.
24 horas são poucas ou os compromissos que estão demasiados? Qual é o limite pra essa pressa a qual submetemos nossas vidas? Dizem que é melhor estar na correria do que não ter pra onde correr. Mas e se essa correria não nos levar ao pódio?
-ray
“Os terremotos não podem nos abalar,
ciclones não podem nos ferir.
Os furacões não podem levar nosso amor embora…”
(Pyramid-Charice Pempengco)

Eles sempre sabem a coisa certa a se fazer. E eles fazem, sempre.
-ray
Nas agonias do temperamento

Na incessante e insensata busca pelos defeitos, me perco nos meus próprios. Como se já não os tivesse aos montes, enxergar os alheios faz com que os meus se escondam. Talvez precise enterrá-los ou cremá-los, junto com minha índole. Talvez seja apenas capricho de minha parte. É assustador, porém, pensar que provavelmente eu não exista sem eles. Os defeitos podem ser o fator decisivo que me defina; ou que me torne uma incógnita.
Refém do orgulho, da prepotência, possessividade, ironia, arrogância, inflexibilidade, intolerância - e de tantos outros adjetivos com prefixo “in”, que acabam gerando insatisfação. Resta agora se libertar através da generosidade, amizade, determinação, criatividade e até mesmo do amor. Pode ser que essas poucas qualidades sobreponham. Pode ser também que não compensem. Pode ser que ninguém dê importância. Pode ser que não seja.
Em momentos, imagino que a ausência de paciência para com os outros derive da falta dela para comigo mesma. Um hábito vicioso que me tira do centro, que faz com que eu não seja mais o motivo ou a culpada; que faz com que eu me engane para o meu agrado, outra vez.
Então as lembranças ruins não foram esquecidas, na verdade foram automaticamente guardadas e serão irracionalmente usadas como provas, como álibi, como justificativa. Depende da situação. Memórias essas que acabam corroendo por dentro. Memórias essas que temo que me façam ver só o que há de ruim, que me façam deixar de acreditar ou me façam esquecer os bons momentos.
Às vezes eu desejo não pensar tanto, não lembrar tanto, não procurar demais. O defeito maior pode estar no racionalizar. A qualidade maior, no simples sentir, sem justificativas ou motivos. Desejo ser mais qualidades que defeitos, desejo que minha personalidade não seja uma estranha pra mim, desejo não ter medo de quem eu seja realmente. Desejo não estar desejando muito.
-ray

Pois o que você ouve e vê depende do lugar em que se coloca, como depende também de quem você é.
(As Crônicas de Nárnia - O Sobrinho do Mago ; página 69)
O adeus à um ano, acima de tudo, real.

Se dizer “até logo” já é lamentável, imagine um adeus. Despedir de pessoas, lugares e até mesmo dos anos não é nada fácil, ainda mais quando as lembranças são excepcionalmente boas.
Imagine dizer adeus à um ano surpreendentemente insuperável, até então. Novos amigos, velhos amigos ainda melhores que antes, faculdade, aqueles que continuam te apoiando e te amando, o encontro, a pessoa certa, as viagens, você se tornando quem sempre gostaria de ser, as mudanças, os sonhos se tornando realidade. Aliás, se pudesse descrever 2010 em uma palavra seria “realização”. Tudo foi realidade.
A maioria aguarda ansiosamente pelo novo ano que está por vir, porém não acontece comigo, não hoje. Normalmente queremos que o que é satisfatório continue, assim como o que está desagradável passe logo. O ano que termina foi bem mais do que eu pedi, enquanto os fogos estouravam no céu. Por isso lastimo demasiadamente sua partida.
À meia-noite meu desejo será apenas que tudo o que aprendi e vivi em 2010 se estenda até 2011. Com algumas mudanças, é claro. Entretanto, com a mesma intensidade e satisfação desses últimos 365 dias.
-ray
Então é Natal. E o que você fez?

Eu não acredito em caridade. Eu acredito em solidariedade. Caridade é tão vertical; vai de cima pra baixo. Solidariedade é horizontal; respeita a outra pessoa e aprende com o outro. A maioria de nós tem muito o que aprender com as outras pessoas.
(Eduardo Galeano)

